Alternativa ao ReVar para opções: a calculadora oficial exclui quem opera derivativos na B3
O ReVar apura só mercado à vista, e uma única operação com opções retira a elegibilidade do investidor. Comparativo com Meu Dinheiro, MyProfit, Mycapital e a alternativa gratuita para quem vende prêmio.
Neste artigo6 seções
- O que o ReVar faz e onde ele para
- Os critérios que fazem sentido comparar
- As alternativas reais para quem opera opções
- Meu Dinheiro
- MyProfit e Mycapital
- Planilha própria
- Comparativo técnico
- Como a apuração por ciclo de vida da operação resolve o gargalo
- Como escolher para o seu caso
- Perguntas frequentes
- O ReVar calcula imposto de opções?
- Posso usar o ReVar para as ações e outra ferramenta para as opções?
- Existe alternativa gratuita ao ReVar que cubra opções?
- Se eu não pagar a DARF de opções, a Receita descobre?
Resumo executivo (TL;DR): o ReVar apura apenas operações de mercado à vista e não cobre opções, futuros nem termo. Quem opera derivativos não fica com o cálculo incompleto, fica sem acesso à ferramenta, porque uma operação não suportada retira a elegibilidade do investidor. As alternativas viáveis são as calculadoras pagas de IR (Meu Dinheiro, MyProfit e Mycapital), que importam operações automaticamente mas cobram assinatura, e o CarteiraOpções, gratuito e desenhado especificamente para o ciclo de vida das operações com opções.
O que o ReVar faz e onde ele para
O ReVar é a calculadora oficial de Imposto de Renda sobre renda variável, criada pela Receita Federal em parceria com a B3. Ficou disponível para todos os investidores a partir de agosto de 2024. É gratuito, autorizado pela Área do Investidor da B3 e entrega três coisas que nenhuma planilha entrega: importação automática das operações, emissão de DARF em tempo real com acréscimos legais já calculados e pré-preenchimento da declaração anual.
Para quem compra e vende ações, funciona bem. O escopo atual cobre ações, BDRs, units, bônus, direitos e recibos de subscrição, ETFs, FIIs, FIAs, FIP-IE e Fiagro. Tudo no mercado à vista.
O limite aparece na frase seguinte do manual da Receita, que restringe o uso a quem "tenha realizado apenas operações de mercado à vista, exceto ouro como ativo financeiro e que não tenha realizado operações envolvendo aluguel de ativos". Ficam de fora:
- Opções, em qualquer configuração, incluindo lançamento coberto
- Mercado futuro, o que inclui mini índice e mini dólar
- Operações a termo
- Vendas a descoberto
- Aluguel de ativos e ouro como ativo financeiro
Aqui está o detalhe que muda tudo, e que quase nenhum material explica com clareza. O ReVar não apura o que consegue e ignora o resto. Ele desqualifica o investidor inteiro. O manual é direto: "O investidor que esteja utilizando o ReVar e deixar de atender qualquer das condições do último item acima não conseguirá mais usar o sistema nesta versão".
Traduzindo para a prática: você vende uma única call coberta sobre as ações que já tinha na carteira e perde o acesso à ferramenta. Não é uma limitação parcial, é uma porta que fecha. E como o lançamento coberto é a operação com opções mais comum entre investidores de longo prazo, boa parte de quem o ReVar deveria atender acaba excluída pelo próprio uso normal da carteira.
A Receita Federal informa que a ferramenta continuará recebendo funcionalidades. Não há data anunciada para derivativos.
Os critérios que fazem sentido comparar
Vale ajustar o eixo da comparação antes de seguir. Nenhuma das ferramentas discutidas aqui envia ordens à B3, então latência de execução, custo de corretagem e cálculo de margem em tempo real não são critérios aplicáveis. São todas ferramentas de apuração fiscal e controle de posição, e é nesse terreno que a comparação tem sentido.
Os critérios que realmente separam uma da outra são estes: cobertura de opções na apuração mensal, elegibilidade de uso, separação entre day trade e swing trade, compensação de prejuízo por modalidade, tratamento de rolagem e encerramento parcial, comportamento no exercício, importação automática de operações, emissão de DARF e custo.
As alternativas reais para quem opera opções
Meu Dinheiro
É a alternativa mais direta em cobertura. A apuração contempla ações, ETFs, FIIs e opções, além de mercado futuro e termo, exatamente o conjunto que o ReVar recusa. É uma suíte financeira ampla, com controle de carteira e relatórios.
O contraponto é o dimensionamento. Você assina uma plataforma inteira de gestão patrimonial para usar o módulo de apuração de derivativos. Para quem só quer resolver a DARF de opções, sobra ferramenta e sobra custo.
MyProfit e Mycapital
Ambas seguem a mesma lógica de produto. Consolidam investimentos, importam operações de forma automática ou por leitura de nota de corretagem, calculam o imposto devido e geram a DARF pronta para pagamento. A importação automática é o ponto forte das duas, porque elimina a digitação que é o gargalo real de quem faz muitas operações.
A limitação delas é de profundidade, não de cobertura. São calculadoras generalistas de renda variável, e opções entram como mais uma classe de ativo. Os eventos que só existem em opções (rolagem que fecha uma série e abre outra, encerramento parcial que divide o lote, exercício que joga o prêmio para dentro da venda das ações) recebem tratamento genérico ou exigem ajuste manual. Quem opera estruturas com duas pernas sente isso primeiro.
Planilha própria
Continua sendo a alternativa mais usada, e funciona nos primeiros meses. Ela quebra na primeira rolagem, porque um evento vira dois lançamentos e a planilha não guarda o vínculo entre eles. Depois quebra no exercício, quando o resultado precisa migrar da apuração de opções para a de ações. O custo não é a assinatura, é o tempo, tipicamente de 2 a 3 horas por mês, mais o retrabalho concentrado em maio.
Comparativo técnico
| Critério | ReVar | Calculadoras pagas | CarteiraOpções |
|---|---|---|---|
| Apura opções | Não | Sim | Sim |
| Elegibilidade com derivativos | Perde o acesso | Mantida | Mantida |
| Day trade e swing separados | Sim, à vista | Sim | Sim |
| Compensação por modalidade | Sim, à vista | Sim | Sim, sem expiração |
| Rolagem com vínculo entre pernas | Não se aplica | Genérico | Nativo |
| Encerramento parcial proporcional | Não se aplica | Genérico | Nativo |
| Importação automática | Sim, via B3 | Sim | Não, registro manual |
| Emite DARF | Sim, em tempo real | Sim | Valor apurado por mês |
| Pré-preenche a declaração | Sim | Parcial | Não, exporta CSV e PDF |
| Custo | Gratuito | Assinatura | Gratuito |
| Curva de aprendizado | Baixa | Média | Média |
A coluna das calculadoras pagas agrupa Meu Dinheiro, MyProfit e Mycapital, que se comportam de forma parecida nestes eixos. Preços mudam com frequência e devem ser conferidos direto na fonte antes de decidir.
Duas linhas dessa tabela merecem leitura honesta. O ReVar ganha em importação automática e pré-preenchimento da declaração, e ganha de forma confortável, porque tem acesso direto ao dado da B3. O CarteiraOpções perde nessas duas linhas, já que o registro é manual. A questão é que essas vantagens só existem para quem consegue usar a ferramenta, e quem opera opções não consegue.
Como a apuração por ciclo de vida da operação resolve o gargalo
A diferença de desenho está na unidade de registro. Uma calculadora generalista trata cada linha da nota como um evento isolado e soma tudo no fim do mês. Funciona para ações, onde comprar e vender é a história inteira.
Em opções a história tem cinco desfechos, e cada um apura por uma regra diferente. No CarteiraOpções, toda operação nasce com status Em Aberto e termina por uma ação explícita: Encerrar, Encerrar parcial, Rolar, Pó ou Exercida. Cada uma aplica a regra correta, grava a data real do desfecho e mantém o vínculo com a operação de origem.
O efeito prático aparece nos três pontos em que a apuração manual costuma errar.
- Na rolagem, o resultado da perna fechada é apurado no mês do fecho, e não no mês em que o prêmio original entrou na conta. A nova posição nasce vinculada à anterior, o que preserva a cadeia inteira para auditoria.
- No encerramento parcial, a operação se divide em saldo remanescente em aberto e fatia encerrada, com o resultado calculado sobre a quantidade efetivamente fechada. Sem isso, apurar sobre o lote inteiro cria imposto sobre lucro que ainda não existe.
- No exercício, o tratamento reconhece que o prêmio deixa de ser resultado de opção e passa a integrar o valor de venda das ações, o que muda a cesta tributária do resultado.
Some a isso a separação explícita entre lucro bruto, taxas, lucro líquido e base da DARF, mais o saldo de prejuízo por modalidade que não expira e aceita prejuízo anterior ao início do uso do sistema. O que a ferramenta devolve no fim do mês é a apuração já separada entre day trade e swing trade, com IRRF abatido e exportação em CSV e PDF.
Contra a planilha, a economia é de tempo e de retrabalho. Contra o ReVar, a comparação nem chega a acontecer, porque a operação que você faz é a que impede o uso dele.
Como escolher para o seu caso
Se você opera exclusivamente ações, ETFs, BDRs e FIIs no mercado à vista, use o ReVar. É gratuito, oficial, importa tudo sozinho e ainda pré-preenche a declaração. Nada do que existe no mercado paga para substituir isso.
Se você opera muitas classes de ativo ao mesmo tempo, com volume alto de negócios e derivativos misturados a renda fixa e fundos, uma calculadora paga com importação automática costuma se pagar. O gargalo nesse perfil é digitação, e é exatamente isso que a assinatura resolve.
Se o seu volume é moderado e concentrado em opções, especialmente lançamento coberto, travas e venda de puts, o cálculo muda. Você faz poucas operações por mês, cada uma com desfecho que importa, e o registro manual deixa de ser o problema. O problema passa a ser tratar rolagem, encerramento parcial e exercício pela regra certa, guardando o vínculo entre as operações.
Há ainda quem opere pouquíssimo, com duas ou três posições por ano. Nesse caso a planilha resolve, desde que você registre o evento e a data de cada desfecho, e não apenas o valor final.
O veredito é simples de aplicar. Se o ReVar aceita você, use o ReVar. Se ele recusa, e ele recusa todo mundo que opera opções, a escolha real é entre pagar por uma calculadora generalista que importa sozinha e usar uma ferramenta gratuita que entende os cinco desfechos de uma opção. Para quem vende prêmio em BBAS3 todo mês, a segunda opção acerta mais e custa nada. Abra sua última nota de corretagem, procure a linha da opção e pergunte qual das duas ferramentas saberia dizer em que mês esse resultado deve ser apurado.
Perguntas frequentes
O ReVar calcula imposto de opções?
Não. O ReVar apura somente operações de mercado à vista, e opções, futuros e termo estão fora do escopo atual. A Receita Federal indica que novas funcionalidades virão, sem prazo divulgado para derivativos.
Posso usar o ReVar para as ações e outra ferramenta para as opções?
Não da forma como a regra está escrita hoje. Ter realizado operação não suportada retira a elegibilidade, então o investidor com opções não consegue usar o sistema nesta versão nem para a parte à vista.
Existe alternativa gratuita ao ReVar que cubra opções?
Sim. O CarteiraOpções é gratuito e foi desenhado para o ciclo de vida das operações com opções, incluindo rolagem, encerramento parcial e exercício. A contrapartida é que o registro das operações é manual, sem importação automática da B3.
Se eu não pagar a DARF de opções, a Receita descobre?
Sim, porque a corretora retém o IRRF na fonte em cada operação, 0,005% sobre o valor de alienação em swing trade e 1% sobre o resultado positivo em day trade. Essa retenção informa a Receita de que houve operação, mesmo que o valor retido seja de centavos.
Este conteúdo é informativo e reflete o manual do ReVar e a legislação vigente na data de publicação. Ele não substitui a orientação de um contador para o seu caso concreto.